É fato que um  dos setores-chave do desenvolvimento nacional é o da construção civil, sendo responsável pelo maior índice de contratação de mão-de-obra no período de pandemia. Porém, ao mesmo tempo que os números apontam para o crescimento do setor, identificamos um dado alarmante: cerca de 20% dos processos trabalhistas que chegam ao TST são da atividade industrial, setor que abarca a construção civil. 

                Sendo ainda mais específico, o TST aponta para o fato de que a demanda mais recorrente nos processos recebidos, é a contabilização indevida de horas extras, e isso acarreta para as construtoras, e concreteiras, um efeito cascata, que se inicia com a ocorrência de um processo específico, de um demandante, que mobiliza um rol de testemunhas, via de regra com passagem pela empresa, e que tem grande chance de se tornar um novos processo na justiça do trabalho.

                Diante do cenário, deve-se levar em consideração uma peculiaridade do direito trabalhista, que é a ocorrência da inversão do ônus da prova, onde compete à empresa provar que os argumentos trazidos pela outra parte não estão em consonância com a realidade. Um dos problemas encontrados dentro das empresas diz respeito à falta de centralização da documentação dos colaboradores, o que acarreta extravio de alguns desses comprovantes, como folhas de ponto, e atestados.

                Outro agravante se deve à utilização de sistemas tradicionais de controle de jornada, que impossibilita o monitoramento dos colaboradores que trabalham externamente, como operadores de caminhão-betoneira, operadores de bomba de concreto, dentre outras funções, o que acarreta ausência da marcação de ponto do intervalo intrajornada, e que entra na folha através de manipulação do sistema.

                Quando adentramos no cerne da contabilização da hora extra, identificamos a falta de um sistema que centralize o monitoramento das horas trabalhadas, onde a equipe de recursos humanos acaba apenas replicando informações, e que para realizar a análise das batidas, tem que computar, manualmente, diversas adequações e atualizações.

                Como forma melhorar tais problemas, a inteligência artificial aparece como principal melhoria no processo de controle da jornada de trabalho, com monitoramento através do reconhecimento facial e georreferenciamento. Através dessa tecnologia, é possível que o colaborador efetue a batida de ponto mesmo estando em rota de entrega de produtos, ou trabalho externo, sempre que autorizado pela gestão da empresa. Com a realização das batidas, o sistema monitora o controle do banco de horas, que pode ser administrado pelo departamento de recursos humanos, possibilitando a melhoria da gestão da jornada. E, por fim, torna-se possível colocar toda a documentação, referente à jornada de trabalho, dentro do próprio servidor, e puxar tudo com apenas alguns cliques, evitando-se o extravio ou perda de documentos.

                Nesse cenário, é importante levar em consideração que a incorporação de melhorias tecnológicas, muitas vezes mais baratas do que os sistemas convencionais, acarretam o aumento da produtividade da equipe, melhor gestão da rotina laboral, maior segurança jurídica, pela centralização das informações, assim como melhoria do controle estratégico da jornada de trabalho. Lembre-se, os processos trabalhistas podem acarretar despesas jurídicas altas, e desgastes desnecessários, opte sempre pela prevenção, e pela redução de problemas futuros. Sua cabeça tem que estar focada no melhor desempenho de suas atividades, e não em problemas evitáveis.

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